Se você entrasse em uma farmácia nos anos 90, provavelmente encontraria um frasco de talco antisséptico associado a um público mais velho, quase invisível aos olhos dos jovens.
Corta para 2025. A Granado ocupa hoje o território do luxo acessível, com lojas na Europa, presença em mercados sofisticados e produtos desejados como presente.
O que aconteceu não foi mágica. Foi um dos processos de rebranding mais bem executados da história recente do país.
O desafio clássico das marcas tradicionais
No início dos anos 90, a Granado enfrentava um problema comum a marcas centenárias: desconexão geracional.
Apesar da qualidade dos produtos, a marca competia por preço e utilidade. Quando uma marca disputa apenas custo, ela vira commodity — e commodities são facilmente substituíveis.
Transformar o antigo em desejável
A virada começou com uma decisão estratégica: celebrar a história em vez de escondê-la.
O que antes era visto como velho foi ressignificado como vintage, sofisticado e autêntico. Tipografias clássicas, ilustrações botânicas e referências do Rio Imperial transformaram a idade da marca em ativo.
Mais do que estética, houve reposicionamento de categoria. A Granado deixou de ser apenas funcional e passou a ocupar o território do autocuidado, do presente e da experiência.
Sair da briga por preço
O movimento decisivo foi a estratégia de distribuição. Em vez de competir nas prateleiras comuns, a marca investiu em lojas próprias, inspiradas em antigos apotecários.
Esses espaços transformaram a compra em experiência sensorial e elevaram o ticket médio. O cliente deixou de comprar sabonete. Passou a comprar narrativa.
Internacionalização sustentada por identidade
A identidade forte permitiu que a Granado ultrapassasse fronteiras. Hoje, a marca exporta mais do que produtos: exporta um imaginário brasileiro sofisticado, com fragrâncias, embalagens e histórias autorais.
O que o case Granado ensina sobre rebranding
O rebranding da Granado mostra que reposicionar uma marca é, acima de tudo, uma decisão estratégica e financeira.
Quando a percepção muda, o valor muda.