Eventos populares carregam algo que nenhuma estratégia cria do zero: memória coletiva. A Marejada, maior festa de pescado do Brasil e uma das maiores celebrações da cultura portuguesa no mundo, é parte da identidade de Itajaí e referência entre os grandes eventos culturais do país.
Em 2025, o desafio não era reinventar a Marejada, mas reposicioná-la como um festival de padrão nacional, elevando a experiência do público e a eficiência da operação sem romper com suas raízes históricas.
Esse foi o ponto de partida da atuação da Onzex, agência responsável pela produção da edição realizada entre 2 e 19 de outubro, no Centreventos Itajaí.
Tradição e profissionalização podem caminhar juntas
Desde o início do projeto, a decisão foi clara: tradição não se substitui, se fortalece.
Por isso, cerca de 90% da operação da Marejada permaneceu com mão de obra e fornecedores locais, preservando o ecossistema cultural e econômico que sustenta a festa há mais de três décadas.
O diferencial esteve na aplicação de metodologias utilizadas em grandes festivais e eventos de experiência. Processos mais rigorosos de logística, segurança, gestão de público, cenografia e fluxo passaram a fazer parte da operação, elevando o padrão técnico do evento sem descaracterizá-lo.
“Nosso desafio foi encontrar o equilíbrio entre tradição e inovação. Não viemos substituir o que já funcionava, mas somar”, explica Thiago Figlioulo, CEO da Onzex.
A experiência do público como eixo do reposicionamento
A edição de 2025 passou a ser pensada como uma jornada de experiência, conceito comum em grandes festivais.
Logo na entrada, o público era recebido por um túnel cenográfico em formato de avião, com sons e imagens de Portugal, que conduzia até um pórtico monumental unindo símbolos da cultura portuguesa e da pesca de Itajaí.
Espaços instagramáveis e áreas temáticas como o Rancho do Pescador, o Porto da Música e o Estaleiro Marejada ajudaram a contar a história da festa de forma contemporânea. A cenografia deixou de ser apenas decorativa e passou a atuar como elemento narrativo.
Modelo público-privado e profissionalização dos eventos populares
A produção da Marejada dentro de um modelo público-privado reflete uma tendência crescente no Brasil: a profissionalização de festas populares.
Nesse formato, o município preserva o espírito comunitário e cultural do evento, enquanto a produtora assume responsabilidades técnicas como montagem, cronogramas, manutenção da cenografia e cumprimento das normas de segurança.
Para o público, isso se traduz em mais conforto, organização e diversidade de experiências. Para a cidade, significa aumento do turismo, maior visibilidade nacional e fortalecimento da economia local.
Sustentabilidade integrada à experiência do evento
A sustentabilidade sempre foi um pilar da Marejada, e a edição de 2025 reforçou esse compromisso.
O evento segue livre de plásticos descartáveis, com copos reutilizáveis, distribuição de água gratuita, coleta correta de óleo de cozinha e compostagem de resíduos orgânicos, cujo adubo é doado ao horto municipal.
O papel da Onzex foi estruturar os processos e comunicar essas ações de forma clara, tornando a sustentabilidade parte natural da experiência do festival.
Um novo posicionamento para a Marejada
A edição de 2025 marca um novo capítulo na história da Marejada. A união entre tradição local, mão de obra regional e expertise em grandes festivais reposiciona o evento como um festival popular de padrão nacional, sem perder seu DNA cultural.
Mais do que uma festa, a Marejada se consolida como um case de produção de eventos, mostrando que é possível respeitar raízes, profissionalizar operações e criar experiências relevantes para público, marcas e cidades.